Amor à tarde
De todos os medos, nenhum supera o da vidinha, nem mesmo o da morte (imenso, por sinal). Trabalhar em um empreguinho, ganhar um salariozinho, voltar para casa, comer, dar, consumir, voltar. Já se perguntava a sábia Isadora Duncan: “Como a vida de certas pessoas pode ser tão simples?”.
Meus Deus, eu não quero isso. Sempre latente a esperança de tornar a vida algo maior, mais belo, mais relevante. Porém, quando estou quase conseguindo, vem o marasmo de mediocridade do cotidiano revolto e, tal como a roda-viva, “carrega do destino para lá”. Sinto falta de um tempo passado. Não porque fosse mas feliz, mas sim por conta das tantas possibilidades outrora existentes em mim. “Você está em boa companhia”, meu analista sempre responde quando cito as recomendações de poetas ou escritores bastante mais sábios do que eu, sobre os perigos de se “brincar com a via”. Como também diria Vinícius, o “o tempo não espera ninguém”. Pois acho que brinquei demais, aí está o tempo no meu encalço, aí estão tantos projetos não realizados, aí está a vidinha a me perseguir.
Escrito por Julinha às 16h11
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